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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Café

sentámo-nos. sobre a mesa duas chávenas: vazias. finjo uma palavra que cai -morta- no abismo da tua chávena. acendo um cigarro que geme a agonia da sua cremação; nem o levo aos lábios: já ardeu. um instante: acendi-o no tic: inflamou-se no tac.

sentados, defronte da mesa fria do café, trocamos fantasmas e evitamos olhares. naquela mesa lá longe: estamos ainda sentados: antigos: no silêncio de um sorriso: há muito tempo. mas agora: tusso uma palavra: deita-la na chávena. penso: o amor era o silêncio.

sentávamo-nos noutra mesa: ainda lá estamos: esbatidos. penso:
o amor era outra mesa.
perguntas "Entendes?"
finjo que sim: e mergulho na chávena: vazia.


Igor Lebreaud