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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Memória

sê meiga, meu amor. sê meiga.
sê branda na memória de ti que
me visita no cair desta noite.
menos perfume, meu amor. menos perfume.
e menos brilho no teu olhar para que
esta memória não viaje
para um sonho de saudade abstracta.
menos tu, meu amor. menos tu.
sê menos os teus cabelos e
menos ainda as tuas roupas e
esse teu sorriso e o teu andar
como de quem baila. sê menos
memória em mim.
liberta-me, meu amor. liberta-me.
deixa-me ser o pássaro ao qual abrem a gaiola
e não sabe para onde ir porque as asas
esqueceram como se afaga o céu.
sê adeus, meu amor. sê perdão.


Igor Lebreaud